Wallace Reis: Um super campeão da vida real

A cada dez brasileiros que você pergunta, pelo menos mais da metade irá te dizer que já sonhou em ser jogador de futebol. Uma paixão nacional que é seguida quase como religião.  

No Brasil, dizer qual time você torce é uma das coisas mais importantes ao se apresentar para alguém no maior país na América do Sul. Mas não há espaço para todos. Enquanto a enorme maioria fica mesmo nesse papel de torcedor, há aqueles que conseguem atingir o sonho brasileiro de ser pago para jogar futebol.  

Wallace Reis, zagueiro com passagens por clubes como Flamengo, Corinthians, Grêmio e Vitória (onde foi revelado) é um desses sortudos. 

Hoje na Turquia, o jogador de 32 anos, bateu um papo com a gente sobre Captain Tsubasa: Rise of New Champions. Acontece que o protagonista da série, Tsubasa Ozora, foi um dos grandes ídolos da infância de Wallace.  

Batemos um papo sobre os desafios de um jogador de futebol, a inspiração no ídolo do anime, emoção de ter jogado no Japão e pegamos algumas dicas bem úteis para você que quer também ter uma carreira vitoriosa em Captain Tsubasa: Rise of New Champions diretamente de um jogador que conquistou o mundo na vida real.  

Confira a entrevista completa abaixo!

Wallace Reis

Bandai Namco: Qual é a sua ligação com os games?
Wallace Reis: Jogava muito na infância, principalmente o SNES. Jogos de plataforma, luta, corrida e futebol estavam entre os meus preferidos. Hoje jogo bem menos do que quando eu era mais novo. 

BN: E a franquia Captain Tsubasa, como a conheceu e se apaixonou por ela? 
WR: Eu era apaixonado por anime! Eu não tinha muitas opções de canais de TV naquela época e um deles era o que exibia ele. Eu era aficionado em desenhos japoneses. Como eu amava jogar futebol, o Tsubasa era meu grande ídolo naquele momento da minha infância. Dias atrás estava até assistindo junto ao meu filho. Gostava demais principalmente pela personalidade do Tsubasa.

Captain Tsubasa Rise of New Champions

BN: Falando na personalidade dele, o que te inspirava no Tsubasa que você acabou levando para sua carreira no futebol posteriormente? 
WR: Um ponto importante na série é o amor que ele tem em jogar futebol. O que acontece na vida real ao longo dos anos é que na verdade você vai perdendo um pouco do prazer em jogar. Algumas exigências acabam tirando essa paixão. Costumo dizer que ninguém te vê talentoso para marcar ou dar carrinho, as pessoas costumam enaltecer mais se você é um bom driblador.  
No desenho, ele deixa essa coisa pura do jogo e da diversão. Gosto muito também da retidão que o Tsubasa tem em não querer ganhar a qualquer custo. Há também a evolução na personalidade do goleiro Wakabayashi ao longo da trama... Como o Tsubasa vira capitão devido à liderança técnica ser superior a dos demais, servindo de exemplo para os companheiros. Nisso você tira muitas coisas que acontecem de fato no futebol. Como tem os exageros comuns em animes japoneses na hora da ação, também tem todo o aspecto de personalidade, de comportamento, das atitudes humanitárias de se preocupar com o outro, desse espírito de equipe.  
Engraçado que aqui na minha equipe tinha um jogador (Eren Derdiyok) também fã do Tsubasa e que inclusive joga com caneleiras personalizadas dele. 

>>CONFIRA TAMBÉM: Um papo com Tsuzuki-san, o produtor do jogo

BN: Com toda essa admiração pelo Tsubasa, chuto que ele é seu personagem preferido da franquia. 
WR: Então, apesar de jogar na defesa, lá atrás eu queria ser o Tsubasa. Mas daí descobriram que eu não tinha tanto talento ofensivo assim (risos). Aí foram me recuando. 
Ele sempre foi meu personagem preferido. Era o cara que eu tinha mais admiração na série, o resto era meio secundário. A não ser pelo Wakabayashi que eu curtia pela personalidade também.

Captain Tsubasa Rise of New Champions

BN: O Tsubasa, assim como você, jogou em diferentes partes do mundo. Poderia nos dizer quais são as principais dificuldades de um jogador que está jogando fora do seu país de origem? 
WR: Primeiro, o idioma. Pesa muito pois a comunicação é um empecilho muito grande. A cultura e comportamento também são obstáculos. Aqui, por exemplo, é muito diferente do Brasil.  
Na parte técnica, o modelo de jogo, ideias, como as pessoas se portam em relação ao jogo é diferente. Tudo depende do comportamento das pessoas.  
O clima da cidade também é algo que influencia muito! Geralmente se a cidade é mais fria, o estilo de jogo é mais defensivo. Agora se você vai para uma cidade mais quente, é um jogo mais vertical. Mas nada que não seja adaptável.

BN: É bem interessante saber dessa diferença de clima! Nos últimos anos, você tem jogado na Turquia, que é um país também apaixonado pelo futebol. Como é sua relação com o país e a torcida do seu time? 
WR: Meu contrato pelo Göztepe* acabou e estou analisando propostas de outros times daqui para permanecer na Turquia, que é um país fantástico. 
Ter jogado aqui desconstruiu minha cabeça como a gente tem uma imagem do Oriente, apesar da Turquia fazer parte da Europa. O mais legal é você ver a diferença que tem na cultura em diferentes regiões do país. Essa miscelânea de pessoas e comportamento me encantou bastante. 
Em relação ao futebol, eles são muito fanáticos porém sabem das limitações de cada equipe. Reconhecem que existem equipes que não vão disputar o título. Mas o fanatismo é enorme! Anos atrás, o Eskişehirspor foi rebaixado no campeonato turco e torcedores botaram fogo no estádio. Essa foi a coisa mais agressiva que vi aqui por parte da torcida. 

*Último clube da Turquia que Wallace defendeu na época da entrevista

Wallace Reis
Wallace jogando no futebol turco

BN: Imagino que tenha sido assustador para os jogadores do clube! Como foi lidar com a pressão do campeonato turco após ter jogado em clubes com torcedores tão exigentes como Flamengo e Corinthians? 
WR: Ainda assim, a pressão do Brasil nem se compara com a daqui. É super tranquilo de jogar se você seguir as regras direitinho. 
No Brasil há cobranças de todos os lados. O que você faz fora, o que você faz dentro de campo. Você é vigiado quase que 24 horas por dia. Pra quem já jogou no Flamengo e Corinthians consegue tirar a pressão de outras equipes tranquilamente. 
Acho que a pressão maior aqui fica nos clubes maiores, como o Galatasaray, mas ainda assim não é equiparável a jogar no Brasil onde rola muita invasão do espaço pessoal por parte das pessoas.

Wallace Reis
Wallace jogou pelo Corinthians e Flamengo (foto), os dois dos times mais populares do Brasil

BN: E olhando pelos aspectos mais positivos, quais foram seus momentos preferidos ao jogar no Brasil? 
WR: Chegar em finais, poder participar de títulos. É um ponto alto na carreira de qualquer atleta, ainda mais em equipes dessa grandeza.

BN: E uma dessas conquistas foi no Japão, terra do Tsubasa. Como foi conquistar o título mundial pelo Corinthians em 2012? 
WR: Naquele momento lembrei muito da final da Copa do Mundo de 2002 que ocorreu no mesmo lugar (Estádio Internacional de Yokohama), além da passagem do Zico pelo futebol japonês nos anos 90 e de outros jogadores brasileiros que fizeram sucesso no Japão, como o Alcindo. 
Foi uma sensação incrível, nem dá para descrever! Só sentindo mesmo pra saber ainda mais por ter sido o palco da final de 2002.  
Ali pra mim foi o final de roteiro que começa com um menino saindo do sertão nordestino brasileiro e chega em um gran finale. É um momento que ficou marcado para mim que sempre irei contar para meus amigos e pros meus netos. 
Espero um dia voltar a disputar uma final mundial. Não sei se como jogador, mas quem sabe em outra função…

Wallace Reis
Wallace (o segundo da esquerda para direita) comemora o Mundial de 2012 no Japão

BN: Assim como Tsubasa x Hyuga, você chegou a ter rivais no futebol? 
WR: Sempre tem aqueles jogadores que você tem uma rivalidade e que é legal de competir. Mas mais do que isso, eu gosto muito da rivalidade entre os clubes. Eu adorava ganhar no Ba-Vi*, era muito legal. Não tem sentimento igual, pois você não gera um sentimento bom só em você como também em todo o público ao redor. O mais legal do esporte é realmente essa questão de rivalidade. Sem ela, a vitória não teria tanto gosto.

*O maior clássico da Bahia, estado no nordeste brasileiro, disputado entre Bahia e Vitória (o time que revelou Wallace ao futebol)

Captain Tsubasa Rise of New Champions

Isso foi algo sempre muito bem retratado em Captain Tsubasa. A todo tempo, o Tsubasa está encontrando adversários que ele possa superar. Isso é algo que eu acho muito legal em animes, como por exemplo DRAGON BALL. Há sempre um novo desafio a ser superado à medida que o enredo vai avançando.  Quando você é mais jovem e assiste esses animes, talvez não perceba. Mas à medida que amadurece, consegue ver nas entrelinhas as mensagens de superação que eles trazem.

BN: Partindo para o lado dos games: qual foi sua reação ao ver o trailer de Captain Tsubasa: Rise of New Champions? 
WR: Ficou muito bacana, eu curti bastante! Vou até apresentar para meu filho que gosta muito de futebol. Certamente irei jogar também. 

BN: Ficamos felizes que tenha gostado! Inclusive, o modo Jornada traz duas aventuras distintas bem no estilo do anime. A primeira delas mostra a época de estudante do Tsubasa e sua rivalidade com outros times colegiais. Para um jogador profissional, o quão importante são as categorias de base na formação? 
WR: Esse modo é bem interessante! Ele parte bem do pressuposto da vida real e lembra muito o anime que eu assistia. O futebol é bem isso: você começa sendo o melhor da rua, pra depois virar melhor do bairro e por aí vai até você chegar em uma equipe profissional…  
É uma coisa bem bacana dessa fase perceber qual sua real posição no esquema tático. Às vezes você tem mais característica para defensor. Eu mesmo comecei como meia, um camisa 8 e foram me recuando a partir do momento que viram que eu me dava melhor como zagueiro.

Captain Tsubasa Rise of New Champions

BN: Já no outro modo, você cria um jogador do zero e vai atribuindo a ele habilidades para formar um super campeão. Pra você, que três fatores um jogador precisa ter para ter uma carreira de sucesso como a sua? 
WR: Garra, que consequentemente vem da paixão pelo o esporte. 
Humildade de reconhecer o quanto você é bom e o quanto você tem limitações - e pra mim o Tsubasa tem isso.  
A terceira seria a ambição para vencer. Esses fatores equilibram um super campeão. 

>>VEJA MAIS: Como criar um super campeão no jogo

BN: Para encerrarmos, qual conselho você daria aos jogadores que vão se aventurar a ter uma carreira de sucesso no Captain Tsubasa: Rise of New Champions?
WR: Que eles possam desfrutar do futebol da melhor forma possível. Sendo um profissional, não podemos desfrutar de tudo e creio que o game cumprirá um bom papel em representar as melhores partes do futebol.  
Se entregar e amar o jogo como Tsubasa. Além disso, prestar atenção na mensagem que o jogo traz nas entrelinhas. Desfrutem! É o que eu poderia dizer a todos. 

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Captain Tsubasa: Rise of New Champions está disponível para PS4, Nintendo Switch e PC. Fique ligado para mais notícias e anúncios sobre o jogo de ação e futebol baseado no anime!

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